domingo, 31 de outubro de 2010

Esperança num novo acordar!

Vai-se desenrolando o novelo de lã.
Sigo o fio de lã, com os olhos, procurando, dessa forma, o seu fim.
Na ponta umas agulhas encontro. Cruzam-se as agulhas com os dedos e a lã e um novo ponto sai. Outro e outro.
Seguram as agulhas e a lã uns dedos gastos pelo tempo, pelo trabalho, pelo frio, pelo calor...
A seu colo um gato preto, enroscado no seu próprio pelo, dorme.
Está junto à janela, iluminada pela luz da lua. No compartimento tudo está escuro.
O cadeirão e a "avó" são as únicas com luz.
Tricota uma camisola. No último ponto, corta a linha, estende a camisola à sua frente e, carinhosamente, dobra-a. Espanta o gato de seu colo. Lenta e dolorosamente, levanta-se caminhando em direcção ao novelo da lã.
Espeta-lhe as duas agulhas e coloca o novelo com as agulhas no cesto dos novelos.
Acende uma pequena vela e de súbito toda a sala se ilumina.
Coloca a camisola, numa pequena meia que está pendurada na lareira. Do lado direito, uma árvore toda enfeitada. Na fronte da lareira, cinco pequenas meias aparecem, cada uma com o seu recheio.
Dirigi-se para o cadeirão. Abre um pouco mais a portada da janela, para poder deixar entrar um pouco mais da luz da lua. Apaga a vela e endireita o cadeirão.
Ao sentar-se,o gato preto volta para o seu colo.
Enquanto acaricia o gato, olha a lua e o mundo. A lua faz-lhe lembrar o marido que já partiu. A lágrima maldita corre, caindo sobre o gato que se livra dela facilmente.
Mas para a "avó" não é assim tão fácil livrar-se daquele sentimento de perda, nostalgia, solidão.
Olha o gato que adormeceu novamente no seu colo. Levanta os olhos e, olhando pela janela, procura a torre da igreja. Enquanto a procura, os seus olhos vêem as estrelas que lhe traz à recordação todos os seus doze filhos e filhas, os seus netos e netas, sobrinhos e sobrinhas-netas. Toda a sua família, da qual ela é a mais velha.
Vive sozinha na sua velha casa, com energia para viver e trabalhar durante o dia. Junto à noite, começa a tricotar as prendas de Natal. Todos sabem que da Avó vem sempre uma camisolinha quente, um par de meias de lã, um gorro para os rapazes, umas luvas para as meninas, e para os mais novos, um cachecol ou uma cobertor...
Não há Natal que não seja celebrado na sua casa, com os seus doces caseiros, os seus pratos para a ceia. Obriga todos a participarem na Missa do Galo lá da terra. Os mais resistentes que ficam em casa, sabem que as prendas só se abrirão depois da meia noite e de todos virem da missa.
Foca o seu olhar agora na torre da igreja: foi ali que foi baptizada pelos seus pais, que recebeu a comunhão solene, onde se casou, baptizou filhos e netos, onde se despediu de seus pais, irmãos e irmãs, marido e um filho!
Todos os Domingos veste o seu melhor fato, coloca o véu sobre a cabeça e dirige-se para a missa.
Todos os dias vai à igreja onde ou reza o terço, ou o "Angelus", ou ouve missa.
Nas suas contas diárias do terço, relembra toda a sua família.
Pede perdão a Deus e reza pelas almas dos seus que se encontram no Purgatório.
Aos filhos e netos ensinou tudo o que sabia. Ensinou-os a rezar, a viver, a poupar, a serem homens e mulheres. Todos os dias, junto ao calor da fogueira, reunia-a e juntamente com o seu marido, dava as lições. Ao fim, rezavam sempre o terço, dando no fim a bênção aos seus filhos para irem descansar.
Era assim que eles viviam; era assim que eram felizes.
Sorrindo, com um sorriso contagiante, voltou a acender a vela, subiu as escadas para o seu quarto. Pousou o gato no fundo da cama e deitou-se. Antes de se deitar, ajoelhou-se junto à cama, onde rezou a Deus três Padres-Nossos, e três Avé-Marias.
Beijou a fotografia que tem na mesa de cabeceira. Beijou-a três vezes: uma pelo marido, outra pelos filhos e sobrinhos, outra pelos netos e sobrinhos-netos.
Apagou a vela e adormeceu, na esperança de amanha voltar a acordar!


Ismael Sousa

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As saudades que eu já tinha...

"As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha..."
Estou finalmente em casa, ao fim de cerca de um mês e meio fora!
Na verdade as saudades não são muitas... são algumas. 
Saí de casa muito cedo. Desde cedo me habituei a estar fora, e por vezes, sinto-me estranho em casa.
Aqui tenho somente família, e pouco mais!
A minha casa é em outro lado,e não aqui onde estou! Mas, e sem dúvida alguma, sinto-me bem cá!
Claro que sinto. Tenho o amor da família acompanhada pela comidinha caseira, os "mimos" da mãe, etc.
Mas é sempre bom voltar à casa materna!


Ismael Sousa

Quando findará?

Chegou a chuva, e com ela o frio!
Maravilhoso!
Chegou a altura de tirar os casacos compridos e quentes do armário! Chegou a altura de começar a usar as botas e com elas os guarda-chuvas!
Como é belo ver chover...
Gostaria de poder ir lá para fora, passear à chuva, molhar os pés, andar descontraído debaixo da chuva!
Mas, infelizmente não posso... muito menos adoecer...
Bem, espero que a chuva não passe rapidamente, e que dure dure dure... como as pilhas duracel!
Deixo-vos uma foto que tirei em plena Serra do São Macário, São Pedro do Sul. É a zona mais linda de todo o Lafões!
Deixo-vos também o pulchrissimo Hino de Lafões!

Serra São Macário, São Pedro do Sul
Hino de Lafões

São cheias de serras
Todas estas terras
Por onde nascemos.
Ainda assim vivemos
Com o que cá temos
melhor que ninguém.
Das terras que eu vi
Como as daqui
Oh! não há nenhuma...
Encerram, em suma
Belezas mais que uma
Que as outras não têm.

Lafões
É um jardim
E não há no mundo
Um lugar assim

Tem flores nos montes
Regatos e fontes
D'águas cristalinas.
Formosas meninas
E outras coisas finas
Tudo do melhor.
Tem um belo rio
Onde pelo estio
Vão ninfas nadar...
E a brisa e o luar
Sabem murmurar
Cantigas de amor!

Ismael Sousa

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mistério de Deus!

Hoje gostaria de vos falar de duas imagens.
A primeira imagem é a "Última Ceia" de Salvador Dali.


Esta imagem sempre me impressionou.
Dali conseguiu mostrar a verdadeira Última Ceia. Ao contrário de Leonardo Da Vinci que demonstrou os discípulos em grande luta para saber quem trairia Jesus, Dali demonstrou a verdadeira essência da instituição da Eucaristia: relembrar e celebrar a Ressurreição de Jesus.
Ao estarem os discípulos de cabeça baixa, Dali representa a fé que estes tiveram depois da Ressurreição.

A segunda imagem que vos apresento, foi criada por mim. Intitulei-a de "Trindade".


Na Formação de Catequistas hoje, o Professor Pedro Miguel falava-nos que Deus caritas est! isto é: Deus é amor...
Muitas vezes tentamos representar Deus... Homem velho, de barbas e cabelo grande! Contudo, a melhor imagem é, sem dúvida alguma, que Deus é Amor.
Desta forma, nada melhor para representar o amor que um coração.
Assim, o coração é Deus, que engloba Jesus Cristo e o Espírito Santo (pomba).
O plano de fundo é uma foto do céu, que representa a imensidão do Amor (Deus) e que Jesus Cristo veio para salvar todos os que vivem por debaixo do mesmo céu, sendo ou não Baptizados, e derramando sobre eles os Dons do Espírito Santo!

P.S. - A análise que fiz à imagem de Dali é uma leitura minha! Cada um interpreta à sua maneira!

Ismael Sousa

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Luz ao fundo do túnel?

Hoje, de maneira diferente do habitual, partilho um rascunho que eu um dia escrevi.


Procura-me
Naqueles momentos de dor,
Alegria e amor…

Fala-me,
Enquanto estás só
E com alguém...

Compreende-me,
Como nunca ninguém compreendeu,
Como nunca ninguém entendeu…

Acha-me,
Naqueles momentos de perda,
Naqueles momentos de solidão…

Perdoa
Quando errei,
Perdoa
Quando não foste feliz.




Ismael Sousa

Carta de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, aos Seminaristas

No dia em da Festa de São Lucas, Evangelista (18 de Outubro), o Papa publica uma Carta aos Seminaristas.
Na introdução desta carta, Bento XVI exorta-nos, a nós seminaristas, que "os homens sempre terão necessidade de Deus".
Esta necessidade é justificada com a vida: "Sempre que o homem deixa de ter noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente.[...]Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros".
Apresenta, então, em traços muito breves, que "O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal", relembrando que "uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha".
No primeiro ponto o Papa diz-nos que o candidato ao sacerdócio "deve ser sobretudo um «homem de Deus»". Esse «homem de Deus» é a boca de Deus, pela qual Ele fala. Assim, "o elemento mais importante [...] é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo". Esse candidato ao sacerdócio nunca se pode esquecer que o sacerdote "é o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si".
Ainda no primeiro ponto, falando-nos como a amigos, relembra que a oração deve fazer parte de todo o dia, "que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos,os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre o tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia."
Quanto aos sacramentos, Bento XVI no ponto dois alerta que "Deus [...] nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós" e que "o centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia". Numa análise à oração que o Filho de Deus nos ensinou, o papa relembra que "o pão «nosso» [...] é precisamente Jesus eucarístico" e que Ele "seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado [...] plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino".
Dentro destes sacramentos, refere o Papa, que "importante é também o sacramento da penitência" que "obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade [...] aprendendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo".
O quarto ponto é bastante interessante. Com poucas palavras, Bento XVI leva-nos a reflectir sobre a piedade popular, algo que os padres de hoje querem acabar. "Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular [...] porque [...] o coração do homem é o mesmo. Excluí-la (à piedade popular), é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens.[...] Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja".
Sem deixar de referir o estudo , no ponto cinco, refere que "o tempo de Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. [...] Estudai com empenho! Fazei render os anos de estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? [...] Não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais [...] mudam de geração em geração e todavia [...] permanecem os mesmos. [...] É importante conhecer [...] a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios. [...] Quão importante seja hoje a teologia ecuménica, conhecer as várias comunidades cristã".
Ainda neste ponto o Papa fala-nos sobre a sua experiência de estudante em que aprendeu "a amar o direito canónico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos".
Como última recomendação neste ponto, Bento XVI exorta-nos a que amemos o estudo da teologia e a segui-lo com diligente sensibilidade nunca a deixarmos de parte na vida da Igreja. "Sem a igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria".
Nos últimos dois pontos o Papa fala da maturação humana que devemos adquirir no tempo de seminário, pois na vida de sacerdote temos, muitas vezes, que acompanhar os outro ao longo da vida e até às portas da morte. Fala também da sexualidade onde nos alerta para os problemas que recentemente surgiram na Igreja, sentindo pena e desgosto.
No último ponto refere as diversas formas de chamamento a esta vida de entrega total a Deus e a importância da vida em comunidade: "o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade".
Despede-se então com a  finalidade desta carta que é mostrar-nos "quanto penso em vós [...] e quanto estou unido convosco na oração" pedindo que rezemos por ele!

Ismael Sousa

domingo, 24 de outubro de 2010

O testemunho de ser!

Finda hoje a semana de oração pelas Missões.
E na finalização desta semana foi-me pedido para dar o meu testemunho.
Andei vários dias a preparar testemunhos, a pensar no que dizer. Tinha até uma cábula comigo para não me perder no meu testemunho.
Contudo quando chegou a hora, não fui capaz de usar a cábula.
A minha vida como testemunho é muito simples:
"Nasci no seio de uma família cristã, mas não activa na Igreja. Aos meus onze anos algo me chamou para o seminário. Naquela altura eu não sabia o que era o Seminário, mas entreguei-me a esta nova aventura de corpo e alma. 
Entrei para o Seminário Menor de São José de Fornos de Algodres com doze anos. Lá estudei quatro anos.
Foi no seminário que comecei a aprender a ser Homem, a aprender a ser verdadeiramente Cristão, a aprender a conviver com pessoas de diversas idades, a aprender a desvendar sempre um pouco mais deste chamamento, deste chamamento ao Sacerdócio.
Com dezasseis anos, devido à drástica quebra de seminaristas, o Seminário Menor mudou-se para Viseu, mais propriamente para Rio de Loba. Estudei na Escola Secundária Emídio Navarro, onde me custou a adaptar pois era o único seminarista naquela escola. Os meus outros colegas estavam no Colégio da Via-Sacra.
Após a adaptação comecei a testemunhar o que era pela forma como me comportava! No meu décimo primeiro ano mudamos-nos para o Seminário Maior.
O meu décimo segundo foi sem dúvida a altura mais difícil para mim: para além de ter que fazer os exames tinha uma grande decisão pela frente: entrar ou não no Seminário Maior. Posso dizer que não foi nada fácil esta minha escolha. Por um lado tinha os amigos que iam todos para a Universidade; por outro tinha o chamamento de Deus.
O meu coração falou mais forte e eu decidi entrar para o Seminário Maior de Viseu.
Actualmente encontro-me no segundo ano do curso Teológico-Filosófico. Afirmo com toda a certeza que sou muito feliz aqui, que este percurso me completa e me sacia!
Espero conseguir chegar à minha meta que é o Sacerdócio. Espero conseguir ser um bom evangelizador do Povo de Deus.
Gostaria de descrever este percurso em mil palavras, mas penso que uma só frase chega: «A minha meta é Cristo!»"
Das minhas últimas fotos no Seminário de Fornos de ALgodres

A minha recepção no Seminário Maior de Viseu 


E neste dia em que testemunhei a minha vida, começaram a cair as primeiras gotas de chuva deste Outono.
Ainda com medo, começaram a cair, junto à noite, muito suavemente...
Encontrava-me eu a vaguear pelas ruas desta bela Cidade, quando as comecei a sentir.
Abrandei o passo para delas poder disfrutar.
Espero agora a sua vinda, com força, para poderem, juntamente com as cores do Outono, completarem o quadro de fundo da Partitura de Deus.

Ismael Sousa 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Futebol, Fátima e Fado.

Desde a minha existência que os velhos sábios me dizem: "Portugal tem três grandes «F's»: Futebol, Fátima e Fado".
Como diriam os "Gato Fedorento" vou "esmiuçar" estes temas na minha opinião. Contudo vou focar-me mais no que é realmente português, aquilo que é o canto da gente nobre e Lusitana.


Futebol
Não posso dizer que seja o meu desporto rei. Sou Sportinguista, não doente, não ferrenho. Gosto de ver um bom jogo, quer seja o Benfica, porto, Sporting ou o Vilamaiorense (este último é em homenagem ao meu irmão mais novo, jogador do Vilamoirense).
Somos grandes no futebol, ou pelo menos éramos. Conquistámos meio mundo com uma bola nos pés. Tínhamos grandes nomes nesse meio, e, jogar com o emblema da selecção, era uma honra.
Hoje, espero poder dizer isto, não se joga com amor à camisola: joga-se com amor ao dinheiro. Já não é uma honra, já não é uma homenagem: é por prestígio.
Gosto muito da minha pátria, e não gosto de a ver perder.


Fátima
É sem dúvida um espaço onde encontro muita paz interior.Tenho pena de não ir lá mais vezes, de não contemplar o suficiente.
É o local onde Nossa Senhora apareceu àqueles três pastores e pediu-lhes que rezassem o terço todos os dias.
Posso afirmar que é o maior local de peregrinação de Portugal.
Neste santuário podemos encontrar gente de todo o mundo que ali estão para rezar junto aos pés de Nossa Senhora.
Entristece-me é fazerem daquele espaço um lugar de comércio.


Fado
"Perguntaste-me outro dia, se eu sabia o que era o fado, eu disse que não sabia [...] Sem saber o que dizia, eu menti naquela hora [...] mas vou-te dizer agora": "O fado é toda a minha fé".
Mas há algo que melhor traduza o verdadeiro Lusitano do que o fado?
Em todo o Portugal encontramos fado: nas Universidades temos o fado dos estudantes; Nas ruelas da Grande Lisboa encontramos as casa de fado com o seu Fado Lisboeta; em cada português encontramos o seu fado!
Relembro, enquanto escrevo, nomes de vários fadistas: Hilário, Carlos do Carmo, Camané, Mafalda Arnauth, Anita Ribeiro, entre outros(as).
por mais que quisesse não conseguiria esquecer e deixar de referir aquelas vozes que para mim são a grande marca de todo o Fado. Refiro assim: a grande diva do Fado, Amália Rodrigues; Celeste Rodrigues; e Mariza.
É impossível comparar cada uma destas vozes. São vozes que conseguem, sem dúvida alguma, retratar o fado, cada uma à sua maneira.
Amália cantava do coração e com a sua voz levou o fado a todo o Mundo; Celeste retrata, de uma forma muito particular, o fado com a sua voz queimada pelo tempo: o seu toque rouco interpreta o fado tão bem!
Sem deixar de destoar, chega-nos o maravilhoso buseirão de Mariza, que consegue meter uma plateia toda em sentido. Os seus vestidos compridos juntamente com o xaile preto caracteriza toda a história deste povo.
É belo ver um fadista emocionar-se com o que canta...

Apesar de tudo não posso deixar de referir aqueles que retratam de uma forma diferente o fado. Assim refiro-me ao "Amália Hoje" e aos "Deolinda".
Gostaria de já ter assistido ao "Amália Hoje", mas não me foi possível.
Assim, refiro-me aos "Deolinda" pois já vi dois espectáculos seus.
Numa mistura de fado e música popular, impulsionam o "Fado Toninho", levando esta marca portuguesa a todos os cantos do Mundo com "Dois Selos e Um Carimbo".
Juntam junto ao seu palco, um aglomerado de gente nova que canta juntamente com a Ana Bacalhau todas as suas músicas.

Encontram-se agora em digressão pelo mundo, a quem eu mando o meu apoio e desejo a maior sorte do mundo: Levem o povo português até aos confins do mundo.

Ismael Sousa 

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ao sabor da vida!

Porque complicamos o que é fácil? Porque tentamos compreender o incompreensível? Porque arranjamos respostas para aquilo que não tem resposta? Porque perdemos oportunidades em vez de as agarrar?
A minha cabeça está cheia de perguntas... Mas nenhuma resposta!
Procuro todo o dia arranjar forma de "encher" a cabeça para não pensar em tanta coisa!
Mas chega a noite, o silêncio da noite, e os problemas voltam. As questões voltam, os problemas voltam.
Não sei porque sinto isto e por mais que tente encontrar respostas, não as encontro.
Gostaria de voltar para o seio materno, onde tudo é mais fácil, e de lá não mais sair.
Tenho saudades de ser criança, dos tempos em que não tinha preocupações, dos tempos em que podia brincar de manhã à noite. Tenho saudades dos amigos que deixei para traz, das pessoas que conheci. Sinto saudades de não ter responsabilidades, de não ter que deixar de fazer alguma coisa... tenho saudades dos meus tempos de criança, em que era um simples menino, que brincava na rua, construía cabanas de sonhos, escalava os ramos da adrenalina. Tenho saudades de poder gritar fortemente, de poder esmurrar os joelhos e os cotovelos.
Tenho saudades de tanta coisa. Tenho saudades...
Mas agora eu cresci. E com este crescer vieram as responsabilidades, a maturidade, o não poder escalar a adrenalina.
Diria que sou um homem, mas para tal ainda me falta aprender muita coisa. Ainda tenho de aprender a ser homem, aprender a comportar-me como tal. Aprender a lidar com o Mundo sem exigir que o Mundo aprenda a lidar comigo. Tenho de aprender a lidar com os meus sentimentos.
Busco esse ensinamento todos os dias. Procuro em Bibliotecas, enciclopédias, manuais e outros tantos livros.
Mas esses ensinamentos, essas lições, essas teorias não são apreendidas em livros, em buscas na Internet.
Procurei encontrar o meu manual de utilização... mas não o encontrei...
Revirei as gavetas sombrias da minha mente para saber quando tinha faltado a essa lição. A essa lição mais importante de todas: "Como se tornar Homem"...
Aprendi a ser homem com os outros, com os dissabores da vida, com as dores que senti, com as derrotas que sofri, com as portas e janelas que me fecharam...
Tornei-me homem sozinho...
Agora faço uma análise, e vejo que não me tornei Homem, mas sim um homem.
Criei um homem que não sabe dizer não; que não tem sentido crítico; que não tem auto-estima; que depende dos outros para tudo.
Alguém me disse que para cada defeito há uma qualidade... Eu vejo tantos defeitos e nenhuma qualidade.
Esforço-me para mudar este homem para um Homem... mas não consigo. Pareço tal e qual...
Anseio poder mudar... Anseio conseguir mudar...


Ismael Sousa

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vendedor de Sonhos e a Revelação dos Anónimos

Acabei agora de ler o segundo livro do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury.
“O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anónimos”
Não vou fazer um resumo do livro, pois estaria a motivar para não o lerem.
Comecei a ler o livro, e como estava em brasileiro não me cativou muito. Apesar disso, e depois de me interiorizar no livro, consegui levá-lo até ao fim.
É um livro fabuloso, como o primeiro, e estou à espera que saia o terceiro livro.
Gostaria de vos deixar algumas passagens do livro que eu considero importantes. Importantes para mim:

O dinheiro compra ansiolíticos, mas não a capacidade de relaxar. Compra bajuladores, mas não os ombros de um amigo. Compra joias, mas não o amor de uma mulher. Compra um quadro de pintura, mas não a capacidade de contemplar. Compra seguros, mas não a habilidade de proteger a emoção. Compra informações, mas não o autoconhecimento. Compra lentes de contacto, mas não a capacidade de ver os sentimentos não expressos. O dinheiro compra um manual de regras para educar quem amamos, mas não compra um manual de vida. […] Quando saímos do útero materno e penetramos no útero social, choramos! Quando saímos do útero social e penetramos no útero de um túmulo, outros choram por nós! Na saída e na entrada da vida, as lágrimas irrigam nossa história.”

É, na verdade, um bom manual de revolução psiquica.

“Sou apenas um caminhante
Que perdeu o medo de se perder
Estou seguro de que sou imperfeito
Podem me chamar de louco
Podem zombar das minhas ideias
Não importa!
O que importa é que sou um caminhante
Que vende sonhos para os passantes
Não tenho bússula nem agenda
Não tenho nada, mas tenho tudo
Sou apenas um caminhante
À procura de mim mesmo.”



Ismael Sousa

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Espaço para mais um...

Voa a gaivota livremente, ao ritmo que o vento vai decidindo.
Voa alto, sem nada temer. O céu é só seu, e o tempo não existe. Voa para além do horizonte, voa em volta do sol e da lua.
O mundo é infinito, o céu o seu cobertor.
Explora a gaivota o céu, procurando conhecê-lo e fazer um mapa..
No meio da sua alegria, uma outra gaivota surge. O céu não é só seu... A sua liberdade é condicionada.
Desce a gaivota à terra, parando para ver o céu. No céu voa a jovem gaivota, exibindo-se e adquirindo para si o céu. As nuvens afastam-se ao vê-la passar... Mas cobrem a velha gaivota que se encontra em terra.
Voa uma vez mais da terra ao céu a velha gaivota. As nuvens tapam-lhe o céu; o sol já não a ilumina, a lua já não aparece.
Volta às areias da praia, derramando lágrimas de dor, solidão, infelicidade.
Jura não mais voar; jura não mais voltar a sonhar.
Profetiza a sua vida vivendo entre as rochas da praia...
Todos os dias vai até junto à água para a olhar.
Olha o mar e relembra tudo o que viveu, tudo o que sonhou e nada do que concretizou.
Deseja entrar no mar e nele residir. "Deus ao mar o perigo e o abysmo deu, mas nele é que espelhou o céu."´
O sonho trai a velha gaivota, dando-lhe razões para voltar a voar.
O mar entra dentro de si, e ela de novo volta a voar... Descobre que há sempre espaço para mais uma gaivota.
Voa com mais intensidade. Voa como nunca voou.
O seu voo leva-a acima das nuvens e ela descobre que o céu sempre lá esteve, o sol nunca a abandonou e a lua esteve sempre do seu lado!



Ismael Sousa

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

De olhos no infinito!

Vejo-te sentada, na solidão da noite fria.
A minha cabeça dá mil voltas para tentar perceber o porquê de estares ali tão só!
A idade passou, e as tuas mãos foram envelhecendo com o árduo trabalho de sol a sol! A tua pele foi ganhando altos e baixos pelas preocupações dia-a-dia! Nunca mais sentistes alegria na tua vida. Nem filhos nem netos tivestes. A saudade foi a tua companheira durante anos.
De entre as contas do rosário ias derramando lágrimas de saudade, dor, solidão...
A teu lado nunca tivestes ninguém que te ouvisse, e quando o tivestes, partiu cedo.
Trabalhastes a tua vida toda para teres algum pão para comer...
Muitas noites ficastes sem comer, e alguns dias também...
Resististes a tempestades e ventanias... Nunca deixastes a tua pobre casa...
Decorada com papel de parede da cor da alegria e da tristeza lado a lado.
Agora já não podes trabalhar mais, e vives do pouco que tens...
Vejo-te muitas vezes no banco de um jardim, esperando que a fome que sentes passe, e que a morte venha...
Já não tens mais razões para viver. Tudo o que tinhas te tiraram...
Toda a tua vida vivestes para os outros, sem nunca nada pedires em troca, a não ser a atenção daqueles que tu amavas. Que tu ainda amas... Que tu nunca deixarás de amar...
Nunca te preocupastes contigo mesmo, vivendo para os outros. Hoje estás só.
Questionaste muitas vezes se terá valido a pena todo o sofrimento, todo o bem que fizestes ao outros; se valeu a pena, não o sabes, pois a única certeza que tens é que agora estás sozinha.
Raras vezes recebestes um louvor, e quando o recebestes não o aceitastes.
Olhas o infinito e sabes que um dia, quando os teus olhos se fecharem eternamente, não mais serás recordada.
Ao teu funeral aparecerá só o padre, e ninguém se lembrará que ali está uma criatura de Deus, que toda a sua vida viveu para os outros.
Prevês o dia da tua morte, esperando que ela venha durante o sono... Anseias por essa vinda há muito tempo...
Rezas uma última vez, vestes a tua melhor roupa e deitas-te.
Despedes-te de tudo à tua volta e fechas os olhos.
Adormeces esperando a morte que virá esta noite.
A tua pele queimada pelo sol gela. A cor da tua pele esbranquiça... A tua alma dirige-se para a Luz Celeste.


Ismael Sousa

domingo, 17 de outubro de 2010

A ti, mãe...

Hoje gostaria de vos mostrar um poema que escrevi dedicado à minha mãe...
Hoje não faz anos, não celebra nenhuma data especial. Mas aprendi que a vida é muito curta e que por vezes não dizemos o quanto amamos!




Mi vida sin ti,
Es lo mismo que nada,
Y yo por ti
Hago cualquier cosa,
Porque estas en mi corazón,
Ahora y siempre,
En mi recordación.
Tu píele suave,
Tu sonrisa,
Son recuerdos,
De bonitos momentos,
Que me proporcionaste,
En toda mi vida.
No sé qué hacer,
Cuando no te ver,
Cuando no te sentir,
No te oír.
Vales más que mil palabras,
Mil actos,
Mil cariños.
¿Que voy a hacer?
Voy siempre recordarte,
En mi corazón,
En mis recuerdos.
Gracias por todo,
Lo que has hecho por mí.
Gracias una vez más
Porque eres la mujer,
La mujer de mí vida.

Ismael Sousa 

sábado, 16 de outubro de 2010

Chegou a minha vez!

Bem, na verdade há coisas que chegam sem nós querermos.
Eis que chegou a minha vez, a minha vez de estar constipado!
Andei a resistir à gripe durante muito tempo, mas ela foi mais forte que eu e agora estou constipado!
Espero que esta gripe seja passageira.

Bem, na verdade neste post queria relembrar alguém.
Ontem, enquanto mergulhava nos livros e no pó da biblioteca, fiquei a saber que tinha falecido um senhor amigo.
Lembram-se daqueles senhores que observavam as nossas brincadeiras quando éramos crianças, que sorriam com os nossos disparates, que nos davam rebuçados e até nos contavam as suas histórias de vida?
Pois é, o Senhor Luís era assim. Do alto da sua janela olhava-nos muitas vezes a brincar na sua rua... Muitas vezes chamava-nos para lancharmos com ele e com a sua mulher, a Dona Carolina.
Muitas recordações tenho...
Até Sempre Senhor Luís...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Soneto à Lua, por Ismael Sousa

Desce o sol até à terra,
para que tu te possas erguer.
E durante toda a noite,
velas o sono de todo o ser.
Para muitos és um astro,
para outros fonte de inspiração.
Mas se alguém te disser
que não sabe viver sem ti,
é porque te conhece
e sabe o que por ele fazes.
A ti te agradeço, Lua,
por velares o meu sono,
por nunca deixares de me iluminar.
Eu sei que irá raiar a madrugada,
eu sei que terás de descer até à terra.
E quando acordar do meu sono,
não estarás no céu estrelado.
Sentirei a tua falta,
pensarei que não estás lá para estares comigo.
Apresso o dia para te ver,
mas o sol quer raiar mais um pouco.
Sinto-me só e sem valor,
sinto que tu já não gostas mais de mim.
Mas quando a noite se põe,
e tu sobes para o grande céu,
e me mostras que nunca me deixastes,
a minha alma enaltece-se,
e sei que ao fim terei abrigo
e dormirei em paz.
Não tenho aqui morada permanente,
leva-me contigo.
Não me importo da longa caminhada,
de todos os perigos que terei de passar.
Se for para te ver, nada me fará recuar.
Ainda que eu pense que estou só,
sei que tu estás sempre comigo
e não deixarás que eu caminhe sozinho!
Guardas em ti todos os meus segredos.
És tu que me ouves quando preciso,
e no mais recôndito do teu ser
guardas todas as minhas palavras.
A ti te agradeço,
pois és tu que ouves,
durante as noites em que fico só,
os gemidos do meu choro.
A ti agradeço, oh Lua,
por me deixares chorar no teu colo,
por me adormeceres no teu leito.
Tu sabes todas as minhas alegrias,
e todas as minhas tristezas.
Ris comigo quando rio,
alegras-te quando eu me alegro.
Perdoa-me quando não te vejo,
e contra ti levanto calúnias.
Ainda que eu não dirija os olhos para ti,
e não te diga nenhuma palavra,
saberás sempre que eu não te esqueço.
Ainda que eu não olhe para ti,
sei que sozinho não me deixarás caminhar,
e que estás sempre do meu lado!
Obrigado uma vez mais,
por iluminares todas as minhas noites.

Foto tirada por mim à lua, com a câmera fotográfica do Cristóvão Cunha

Ismael Sousa

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Partitura do meu Sonho

Onde me levará o infinito? Que coisas belas terá ele para me mostrar?
Olho o infinito onde constantemente me perco. Gostaria de um dia partir à sua descoberta! Saber o que teria ele para me mostrar, que sentimentos teria ele para me apresentar...
Sinto-me distante deste mundo onde vivo! Muita coisa me alegra, mas por mais perto que eu pense que esteja, mais longe me fazem ficar!
Aprendi a amar a solidão que constantemente sentia! Aprendi a viver todos os dias com ela!
Aproxima-se o fim-de-semana e agora é que eu vou realmente conhecer a verdadeira vida! É que vou saber como vai ser a minha vida daqui para a frente!
É agora que Deus vai começar a tocar a Partitura do meu Sonho! Agora sim! Agora saberei como é a minha Partitura!

Ismael Sousa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Viseu, Senhora da Beira

No último post escrevi sobre o 13 de Outubro, sem me lembrar que o dia estava tão perto.
Hoje o meu pensamento está em Fátima. Está junto dos peregrinos que chegam, dos que estão para chegar e dos que já chegaram. por eles elevo os meus olhos ao céu e dou graças a Deus e por eles peço.
Contudo, aperta-se-me o coração ao saber que muitos ao chegarem a Fátima nem à missa vão! Rogo a Deus por eles.

Estamos a viver a primeira semana do Sínodo da Diocese de Viseu, cujo o seu objectivo principal é rever a Igreja em Viseu. Mas, para mais informações, podem consultar o site da Diocese de Viseu.

Hoje escrevo em particular para vos falar de uma grande alegria.
O sol está a raiar; ainda sobram algumas andorinhas que decidiram ficar um pouco mais por Lusas Terras.
O céu permanece limpo, e a cidade particularmente bela!
A alegria de que vos quero falar é da cidade onde vivo.
Muitas vezes, quando vivemos todos os dias no mesmo local, deixamos de dar valor ao que nos rodeia.
Primeiro falo-vos do Claustro cá de casa: para muitos é um terçódromo, mas para mim é algo belo. Quando andamos a rezar o terço, deparo-me muitas vezes a olha-lo.
Não é que seja algo fora do comum, mas para mim é! São tantas as boas recordações, os bons momentos, as boas risadas que lá se deram...
Gosto muitas vezes de parar e cantar a Salve Regina e olhar o céu.
Quando vou à rua, olho muitas vezes as escadas suspensas e penso: "Opah, como é possível?". Magnífico.
A casa por fora é vulgar, mas o meu afilhado diz: "O padrinho vive na casa com muitas janelas".
Mesmo junto a casa temos a Igreja do Carmo. Não vou referir factos e datas históricas, pois para isso temos as "plaquinhas" junto aos monumentos. Refiro só que é uma igreja bela. Bela, mas fria...
Sigo com o meu pensamento o caminho até à Sé. Ah, como ela me fascina. É algo que me agrada e alegra. Não deixo de referir contudo, que podia estar mais bem organizada...
Ao lado da Sé temos o Museu Grão-Vasco, onde se pode visitar as obras daquele Grão Mestre.
Desço até à Cava do Viriato onde gosto de passear muitas vezes. Tenho pena de não ter mais tempo para lá ir.
Deambulo muitas vezes pelas ruas da cidade: podem ter muitos defeitos, mas são giras. Principalmente as mais velhas.
Realmente, Viseu é uma Senhora fidalga e romeira. É também um Museu, onde nasceram grandes nomes. É alvor de Lusitano valor do General Pastor Viriato.
Tem Serras belas que formam um castelo; é musa de poetas, coberta por um manto branco.
Se fosse em Lisboa dir-se-ia que "a marcha é linda"; mas cá eu digo: "VISEU È LINDAAA!"
Partilho uma música da Infantuna que, a meu ver, retrata muito bem a cidade de Viseu!

Seminário Maior de Viseu
Sé de Viseu e Museu Grão-Vasco
Cava do Viriato



Ismael Sousa

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

"Quero que rezeis o terço todos os dias."

A 13 de Outubro do ano da graça de 1917, nas aparições na Cova da Iria, "uma Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessando pelos raios de sol mais ardente" disse: "Sou a Senhora do Rosário. Quero que continuem sempre a rezar o terço todos os dias."
Que sorte tiveram estes 3 simples pastores. Que fé tinham estes pastores.
Hoje,por mais que me custe dizer, já quase não se tem fé!
O terço tornou-se uma oração "das velhas" ao qual já não damos importância, e quando o rezamos, rezamos automaticamente. Não reflectimos em nada: não reflectimos nos Mistérios que a Santa Madre Igreja nos propõe; não reflectimos nas palavras do Anjo a Maria, na Anunciação (Avé, oh cheia de graça. O Senhor está contigo) complementada pelas palavras de Isabel (Abençoada és tu, mais do que todas as mulheres, e abençoado é o filho que de ti há-de nascer). Pior, é ainda, rezarmos automaticamente a única oração ensinada por Cristo na sua passagem pela terra.
Contudo, o terço sempre foi uma oração especial para mim.
Ontem, como puderam ler no post, estava confuso.
Chegou a hora de rezar o terço e eu depositei toda a minha confiança na Mãe do Salvador.
Tudo melhorou.
Hoje, faço-me de "pastor" e "vejo" a Nossa Senhora.
"Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas."






Ismael Sousa

domingo, 10 de outubro de 2010

Grito!

Gostaria de poder compreender todo este sentimento que vai dentro de mim.
Quero chorar mas as lágrimas não correm... Quero gritar, mas não tenho voz...
Começo a pensar que as lágrimas secaram totalmente, que toda a essência da minha voz fugiu.
Alguém me roubou a voz; alguém me roubou a fonte das lágrimas.
O meu coração está preso. Sinto as correntes a apertar.
Não sei que correntes são estas.
Tento compreender as suas palavras, mas já não sou capaz de ouvir.
Falam de uma maneira que não consigo compreender, apesar de falarem em português.
Sentimento estranho este que sinto. Gostaria de o traduzir em mil palavras... mas nenhuma qualifica o que eu sinto.
Não consigo compreender porque assim me sinto.
O que eu mais desejava cumpriu-se.
Devia sentir-me feliz, alegre, contente...
Mas só tenho vontade para chorar.
Pensei eu já ter ultrapassado tudo isto...mas quanto mais penso nisso, mais a vida me vira de pernas para o ar.
Serei eu um fantoche nas mãos da vida?
Oh vida maldita, que eu tanto te amo... Os teus caminhos são tão incompreensíveis, tão cheios de cruzamentos e buracos.
Quem me dera a mim, oh vida maldita, odiar-te, conseguir afastar-me de ti...
Alguém maior do que tu, vida, me prende a ti...
Não te deixarei até ao momento em que esse Alguém me chamar para junto de Si!
Já tentei amar-te, dar-te tudo o que me pedes... Nunca me pareces feliz...
Já tentei odiar-te, deixar-te... mas não consigo.
Amo-te demais, vida confusa, para te conseguir deixar.
Apegaste-te ao meu coração e de lá não queres mais sair...
Confunde-se-me a alma,  o meu pensamento e todos os meus sentimentos.
Conseguirei deixar de ser assim? Poderei eu seguir a minha caminhada contigo a meu lado, sem me deixares desfalecer?
Queira Deus que eu mude.
Entranhaste-te na minha vida de tal maneira, que já não me consigo afastar.
Oh vida maldita, de uma vez por todas: deixa-me mudar. Deixa-me ser quem eu quero ser. Já não suporto que me vejas assim, e não me deixes mudar.



Ismael Sousa

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dois meses...

Muitos podem não se lembrar. Outros podem não se querer lembrar.
Infelizmente eu lembro-me!
Não hoje, mas ontem, anteontem, todos os 61 dias que passaram.
A mágoa ainda cá reside; a saudade é sua vizinha; a dor e a perda são os seus pais!
Como gostaria eu de poder voltar atrás, só para lhe dizer uma última vez que o amo!
Só para poder ver o seu sorriso uma vez mais, ouvir uma vez mais os seus conselhos, uma vez mais ouvi-lo cantar!
Agora só me restam as recordações e o espaço vazio no meu coração!
Como gostaria eu de ser como ele. De ser a pessoa que ele era!
Contudo, uma coisa ele me deixou: o seu exemplo.
De um descuidado, desarrumado, faltista e de um calão, passei a ter cuidado, a ser arrumado, a nunca faltar e a trabalhar todos os dias!
Obrigado, meu querido e amado padrinho, pelo teu exemplo! Obrigado por teres sido quem fostes!
A tua perda, padrinho, trouxe-me uma grande amizade. Uma amizade pela qual eu nunca esperava. Uma amizade que cresce todos os dias! Uma vez mais, obrigado padrinho pelo muito que me ajudastes e pela amizade que me trouxestes.
Recordar-te-ei todos os dias da minha vida!


Ismael Sousa

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Música no coração!

Hoje acordei particularmente bem disposto!
Não sei porquê mas pareceu-me que a música hoje invadiu o meu coração!
Onde quer que eu passasse ouvia música!
Não sei se era por causa de estar a chover, se era por que fosse!
Além disso, acho que hoje consegui realmente abrir os meus ouvidos para a Música que Deus toca ao ler a sua Partitura!
Hoje senti que nada me poderia abalar... E na realidade assim foi!
O dia correu-me particularmente bem!
Chovia, sempre ligeiramente, sem acelerar muito: cá para mim parece-me que Deus entrou num compasso pianíssimo, que fez as nuvens chorar o compasso todo!
É belo quando conseguimos escutar essa Música.
Infelizmente nem sempre consegui... Mas agora que abri o meu coração, é tudo muito, mas muito mais fácil!
Gostaria de continuar assim o resto da minha vida, e, se possível, com muito mais alegria!
Infelizmente esse belo compasso acabou, e se não, está prestes a acabar.
A minha vida entrou num caminho de mudança que eu há muito desejava! Queria mudar mas faltavam-me as forças... Parecia que era impossivel mudar de vida, pensava tudo de negativo!
Contudo, apesar de ouvir o contrário todos os dias, ainda não consegui mudar o pessimismo que em mim reside!
Estou sempre a rebaixar-me, e a dizer que não sou nada, nem digno de viver... Apesar disso, Deus deu-me esta vida e quando achar oportuno, seja da maneira que for, Ele me a tirará!
Não posso fazer mais nada, se não ouvir a sua bela música todos os dias, e dar-lhe graças por tudo o que tenho!
Obrigado, Maestro, por me dares a conhecer a cada dia uns compassos da tua infinita música!
a vida é o bem mais precioso que temos, por isso não a estragues.
Sê feliz, e faz feliz os outros!
Aquando da sua visita a Portugal, o Papa Bento XVI dizia aos artistas: " Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza."
Contudo digo eu agora: Sejam felizes, e façam a vossa vida um lugar de felicidade!

Ismael Sousa

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ensaio sobre a amizade II

Hoje sentia-me particularmente em baixo.
Principalmente quando a noite chegou!
Depois de sair do seminário e ir passear pela cidade sozinho, a Verdade entrou em mim e disse-me: "Nunca estás só! Por mais só que tu estejas, ou que te pareça que estejas, tens sempre alguém do teu lado. Podes permanecer sem nenhum amigo ao teu lado, e parecer-te que eles não querem saber de ti... Mas, e no passado? Ontem? Anteontem? Como foram esses dias?  Será que eles realmente não querem saber de ti? Para, escuta e olha! Ouve o teu coração, vê os sinais que os teus amigos te dão... Pára de pensar só em ti! Sê racional! Não queiras tudo para ti!"
Caí em mim...
Pensei não mais me levantar... A Verdade tinha-me confrontado e colocado questões na minha cabeça que nunca tinha pensado. Todas as minhas teorias foram por água abaixo...
Andei eu a pensar direito durante estes dias, meses, anos, décadas?
Será que a inveja, o sentimento de solidão, a vontade de morrer, desaparecer, de deixar tudo para traz não se invadiram de mim num momento maior de solidão?
Para quê tanta dor, tanto rancor, tanto ódio e tanta vontade de ser injusto?
Fui eu ou não invejoso? Quis eu ou não apoderar-me dos meus amigos, meter uma redoma de vidro sobre eles e impedir que o restou do Mundo os veja, se aproxime deles e que criem amizade também com eles?
Mas sou eu capaz de deixar de pensar em mim e pensar também um pouco neles? Como eu tenho direito de criar novas amizades, assim eles também têm esse direito!
Não posso ser para eles um estorvo, uma barreira entre eles e o resto do Mundo. Tenho de os deixar viver a sua vida, deixar que eles voem como os pássaros voam do ninho da mãe. Deixar que sejam, a cima de tudo, livres.
Vou contar-vos uma pequena história da minha vida.
Tenho, na minha vida, um pequeno príncipe! Esse pequeno príncipe dá-me muitas alegrias. Quando olho os céus na altura em que o sol se põe, vejo os seus olhos; quando surge a primeira estrela no céu, lembro-me da sua marca no olho; quando olho o mundo à minha volta, recordo-me dele, pois penso sempre que é uma fotografia.
Esse pequeno príncipe conseguiu cativar-me! E a ele muito lhe agradeço. Nunca antes alguém me tinha cativado assim. As coisas tornam-se muito mais fáceis na minha vida, com o meu pequeno príncipe ao meu lado.
Contudo, pensei muitas vezes em meter-lhe uma redoma de vidro, para que ninguém lhe tocasse. Mas o meu príncipe é bom de mais para estar numa redoma de vidro: ele precisa de conviver com os outros.
Contudo, quando esse meu pequeno príncipe começou a conviver com outras pessoas, a minha inveja subiu-me à cabeça. Mas, agora que parei, olhei e escutei, sei perfeitamente que não me importo que ele conviva com os outros: quero só que ele saiba que tem sempre ao seu dispor esta pequena raposa, que vive na terra, para ele!

A amizade é, realmente, uma coisa bela! Na vida nada existe sem amizade. Quando nos cativam, a amizade fica muito, mas muito muito rica.
Infelizmente, estou agora a deparar-me com um problema: os teus olhos, pequeno príncipe, dizem que não estás bem. O teu caminhar diz-me que a tua alma está perturbada, o teu sorriso manda todas estas minhas teorias por água abaixo.
Se fui eu que errei, perdoa-me meu piccolo principe ^^!

 Já pensei em mil e uma forma para poder acabar este meu testamento. Mas após uma longa reflexão, decide que vou acabar com uma mensagem bela e dedicada ao meu pequeno príncipe: Ti Voglio Molto Bene!


P.S. Este Post chama-se "Ensaio sobre a amizade II", porque o primeiro encontra-se aqui.
  Ismael Sousa

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Esperando pelo tempo de bonança...

O início de ano rebentou em força e com muita vontade para o fazer continuar assim.
Contudo, ainda reside um grande vazio na minha alma.
Tenho andado super diferente de mim mesmo: já não sou aquela pessoa sempre sorridente, sempre a rir, sempre de bom humor...
Este vazio tem-me feito rebentar praticamente todos os dias, e a todas as horas...
Ocupo o tempo com pensamentos e mais pensamentos, tudo para encher a cabeça e não deixar o silencio actuar em mim.
Há uma frase que já há muito tempo reside no meu pensamento: "Tenho saudades tuas, padrinho!"
Apesar de tudo sei perfeitamente que, ele está ao meu lado e que não me deixa.
No meio de tanta tristeza, tenho tido ao meu lado bons amigos, e não meros conhecidos.
Uma vez mais, eu lhes agradeço por estarem comigo!
Agradeço por serem as pessoas que são, e por não me virarem as costas!
O Mundo é grande, mas reduz-se a tão pouco.

Lia há minutos um post de um grande amigo, que falava sobre a chuva.
A chuva realmente chegou! E muito me alegra isso!
Gosto muito de chuva, mas principalmente de andar à chuva.
Recordo que há uns dois anos atrás, escrevi no meu caderno de capa preta algo sobre a chuva.
Era algo deste género: "...Passeio-me pela rua! Está a chover! As pessoas correm debaixo dos seus guarda-chuvas sem se preocuparem com os outros... Não há sorrisos, não há alegria! As pessoas correm para fugirem do mundo. Eu permaneço debaixo da chuva, caminhando lentamente, e observando o mundo: é tudo tão belo..."
Contudo, e (in)felizmente (infelizmente para mim e felizmente para muita gente) a chuva parou!
Espero mais dias de chuva para despertar em mim alegria. Bem sei que parece um pouco confuso: a alegria (para muita gente) é sinal de tristeza, e o sol sinal de alegria. Apesar de tudo eu sou contrário: a chuva é sinal de alegria.
Dá-me vontade de dar um pulo lá fora e cantar:
"I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again"


 
No meu 11º ano, tinha, durante o Inverno, a minha cama mesmo debaixo da clarabóia, para poder acordar com o som da chuva!
Mas que som tão belo é esse? Bem, eu cá não sei explicar, mas para mim é a Partitura da Música de Deus, num compasso pianíssimo, que nos faz elevar a nossa mente, o nosso coração até aos sentimentos mais belos!
Aproveitem esta música com um belo sorriso nos lábios. Disfrutem da vida, não se deixem morrer!

Ismael Sousa

sábado, 2 de outubro de 2010

Finalmente!

Olá caros amigos.
Sim, é verdade, já não escrevo há uns dias, mas não tenho tido tempo nenhum, nem para mim.
Inicio de ano, e um montão de coisas para fazer: tirar fotocópias, arrumar a associação e por estes computadores a funcionarem.
Ontem, dia 1 de Outubro, dia da Santa Teresinha do Menino Jesus, foi a abertura oficial do instituto.


Com a Oração Sapiencial presidida pelo D. Jacinto Botelho, bispo de Lamego, tivemos como orador o Padre Doutor Paulo Alves, que nos falou um pouco sobre a psicologia da religião, tese do seu doutoramento.
A missa foi presidida pelo D. Jacinto Botelho, concelebrando os bispos das restantes dioceses: D. Ilídio Leandro, Viseu; D. Manuel Felício, Guarda; D. António Montes, Bragança-Miranda.
Juntamente com estes, estiveram os Reitores dos Seminários, docentes e, principalmente, os Seminaristas das quatro dioceses.
Na missa foi relembrado o falecido Pe. Cartaxo e o nosso amado e muito querido Paulo Pais.
Prosseguiu-se com o almoço e após este o café.
Esta, oficialmente, mais um ano aberto, do qual espero ter muitas alegrias.
Prometo, agora, escrever quase todos os dias.
Sem mais, resta-me só desejar um bom ano lectivo a todos os meus colegas e a todos os estudantes!

Ismael Sousa